Awetu! Ererré!
Por Sidnéa Francisca dos Santos
Salve as forças Sagradas e Encantadas que nos guardam. Salve as políticas públicas que buscam dignidade, equidade e igualdade, e principalmente a política de cotas nas universidades públicas brasileiras, política essa que permite que eu, uma mulher preta, pobre e periférica, esteja cursando Doutorado, assim como minha prima Fabiana Lesse (que é da área da Química). Seremos as primeiras Doutoras da nossa família! Viva a CAPES e o CNPq! Viva o MEC e o MCTI! Viva o Governo Lula que pensa no povo e nas necessárias reparações decorrentes do racismo estrutural.
Viva meus professores e orientadores, amigos que a vida me presenteou, e salve os GTs Emancipações e Pós-Abolição em Minas Gerais e Passados Presentes! Sem vocês nada disso seria possível. Viva Lucas de Godoy e Luiza Geoffroy, por aceitarem esse desafio comigo!
Eu, que sempre amei livros, hoje tenho 4 escritos. Isso na vida de uma mulher preta com a minha trajetória é muita coisa. Queria que meu pai, Sô Jurandir, pudesse estar aqui fisicamente para ver essas minhas/nossas conquistas, pois ele se sacrificou muito para que eu não largasse os estudos ainda no colégio, para ter que trabalhar. É por você pai, pela sua memória e de todos da nossa família que já partiram. Sou uma negrinha do Rosário graças a Vó Natalina e Vô João Vicente, pais de minha mãe. Sou cantadeira e dançante, graças a Vó Arlinda e Vô Zé Francisco, pais de meu pai. Vocês são o sentido e o significado de tudo
O catálogo Reinados Negros de Ouro Preto traz, com muito respeito, em cada registro uma energia que, mesmo aqueles que não vivenciam o dia a dia dos reinados negros e a força dos nossos tambores, conseguem se emocionar. Evidenciando a força feminina de Mametu Marise e Capitã Kátia, somos tocados pela beleza e pujança das imagens capturadas pelos fotógrafos (melhor seria chamá-los de artistas) que permitiram o uso de suas imagens nesse catálogo. Lucas de Godoy, Luiza Geoffroy, Mila Damasceno, Alexandre Martins, Ane Souz, Eduardo Tropia (in memorian), Dimas Guedes (in memorian), obrigada! As imagens que vocês capturaram são a maneira palpável de registrar a beleza das nossas tradições e costumes, que resistiram e reexistem a séculos de opressão, agressão, invisibilidade e apagamento. Povo Preto de Ouro Preto é Ouro. Somos a Fé que canta de dança pra rezar. Somos povoados.
Bença a quem é de direito!
Salve Maria!