{"id":1608,"date":"2025-10-23T19:15:03","date_gmt":"2025-10-23T22:15:03","guid":{"rendered":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/?page_id=1608"},"modified":"2025-10-23T19:42:19","modified_gmt":"2025-10-23T22:42:19","slug":"verbete-piedade-do-rio-grande","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/verbete-piedade-do-rio-grande\/","title":{"rendered":"Verbete: Piedade do Rio Grande"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: <a href=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/participante\/daniele-neves\/\">Daniele Neves<\/a> e <a href=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/participante\/livia\/\"> Livia Monteiro <\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">HIST\u00d3RICO:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Localizada no campo das Vertentes, a cidade de Piedade do Rio Grande, que hoje tem pouco mais de 4 mil habitantes, teve origem no s\u00e9culo XVIII, a partir de atividades voltadas para o abastecimento das \u00e1reas mineradoras e da Corte. Desde a sua origem at\u00e9 os dias atuais a cidade mant\u00e9m o mesmo eixo econ\u00f4mico, isto \u00e9, uma cidade majoritariamente agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tal como todo o Brasil, Piedade do Rio Grande foi constru\u00edda a partir da explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra escravizada e, tamb\u00e9m tal como em todo o Brasil, os escravizados, libertos, nascidos livres e seus descendentes, imprimiram elementos relacionados as suas cren\u00e7as, costumes e valores na economia, nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, no cotidiano, nas festas e nos costumes da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No \u00faltimo final de semana do m\u00eas de maio, as ruas de Piedade do Rio Grande s\u00e3o tomadas pela popula\u00e7\u00e3o negra, que celebra sua f\u00e9 e resist\u00eancia atrav\u00e9s dos cantos e encantos da Congada e Mo\u00e7ambique de Piedade do Rio Grande. \u00c9 como se, ao tomarem as ruas, os congadeiros e mo\u00e7ambiqueiros nos dissessem \u201cestamos aqui, resistindo h\u00e1 s\u00e9culos, a todas as mazelas que esta sociedade nos imp\u00f5e\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A resist\u00eancia, e veja bem, quando falamos de resist\u00eancia aqui, falamos sobre as estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia que t\u00eam que ser adotadas cotidianamente pela popula\u00e7\u00e3o negra diante a cada forma de manifesta\u00e7\u00e3o do racismo na nossa sociedade, tamb\u00e9m pode ser percebida no cotidiano da comunidade do Cruzeiro do Rio Grande.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Al\u00e9m da festa da Congada e Mo\u00e7ambique de Piedade do Rio Grande, a comunidade do Cruzeiro do Rio Grande \u00e9 outro espa\u00e7o no qual a presen\u00e7a negra se fez presente ao longo do tempo em Piedade do Rio Grande. A comunidade teve origem no s\u00e9culo XIX, a partir da fixa\u00e7\u00e3o de egressos do cativeiro e seus descendentes. \u00c9 o local de origem da <em>griot<\/em> Maria Cec\u00edlia de Jesus, ou Datila. A hist\u00f3ria da comunidade do Cruzeiro do Rio Grande \u00e9 marcada pela escassez de recursos econ\u00f4micos desde a sua origem at\u00e9 os dias atuais. Ao mesmo tempo, olhar a trajet\u00f3ria da comunidade nos d\u00e1 um panorama da capacidade da popula\u00e7\u00e3o negra de resistir ao racismo cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Olhar para a presen\u00e7a negra em Piedade do Rio Grande, atrav\u00e9s da festa da Congada e Mo\u00e7ambique de Piedade do Rio Grande ou da Comunidade do Cruzeiro do Rio Grande \u00e9 ver na pr\u00e1tica como a popula\u00e7\u00e3o negra combinou de n\u00e3o morrer, mesmo que a sociedade tenha combinado de nos matar.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/10\/ANTIGA-MATRIZ-N.S.PIEDADE-1-1024x684.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1609\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/10\/ANTIGA-MATRIZ-N.S.PIEDADE-1-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/10\/ANTIGA-MATRIZ-N.S.PIEDADE-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/10\/ANTIGA-MATRIZ-N.S.PIEDADE-1-768x513.jpg 768w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/10\/ANTIGA-MATRIZ-N.S.PIEDADE-1-1536x1026.jpg 1536w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/10\/ANTIGA-MATRIZ-N.S.PIEDADE-1-2048x1368.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Antiga Par\u00f3quia de Nossa Senhora da Piedade. Piedade do Rio Grande\/MG. Acervo Rui Ernani.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Piedade do Rio Grande \u00e9, portanto, um espa\u00e7o que nos permite mapear e entender a trajet\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra em Minas Gerais ao longo do tempo. Mas, a escolha da cidade tamb\u00e9m perpassa pela trajet\u00f3ria das pesquisadoras L\u00edvia Nascimento Monteiro e Daniele Neves. As duas pesquisadoras s\u00e3o naturais de Piedade do Rio Grande e tem a sua trajet\u00f3ria de vida e de pesquisa cruzada com a popula\u00e7\u00e3o negra da cidade. Este cruzamento trouxe a inquieta\u00e7\u00e3o para ambas sobre a necessidade de entender a popula\u00e7\u00e3o negra da cidade. Esta inquieta\u00e7\u00e3o se desdobrou em pesquisas que por sua vez colocaram Piedade do Rio Grande no mapa da presen\u00e7a negra em Minas Gerais.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>\u2013 Constru\u00e7\u00e3o da avenida rio branco: FILHO, ANT\u00d4NIO FERREIRA<\/p>\n\n\n\n<p>CARVALHO, Maria Selma de; CARVALHO, Jos\u00e9 Murilo de; CARVALHO, Ana Em\u00edlia de (org.). <strong>Hist\u00f3rias que a Cec\u00edlia contava<\/strong>. 2. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>KANDRATOVICH, Jos\u00e9 Itabyr Carvalho. <strong>Uma fam\u00edlia mineira<\/strong>: retratos sem retoque. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Fino Tra\u00e7o, 2014.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a><\/a>MONTEIRO, L\u00edvia Nascimento. <strong>\u201cA Congada \u00e9 do mundo e da ra\u00e7a negra\u201d<\/strong>: mem\u00f3rias da escravid\u00e3o e da liberdade nas festas de Congada e Mo\u00e7ambique de Piedade do Rio Grande-MG (1873-2015). 2016. 265 f. Tese (Doutorado em Hist\u00f3ria) \u2013 Instituto de Ci\u00eancias Humanas e Filosofia, Departamento de Hist\u00f3ria, Universidade Federal Fluminense, Niter\u00f3i, 2016.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>NEVES, Daniele Michael Trindade. <strong>TERIA SIDO UMA TRANSI\u00c7\u00c3O SEM TRAUMAS ? <\/strong>Uma an\u00e1lise da trajet\u00f3ria de Datila: uma mulher negra em busca de estrat\u00e9gias de inser\u00e7\u00e3o social no p\u00f3s &#8211; aboli\u00e7\u00e3o em Piedade do Rio Grande &#8211; MG. Disserta\u00e7\u00e3o. Instituto de Ci\u00eancias Humanas, Universidade Federal de Juiz de Fora, 2024.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>RIBEIRO, Devanir de Oliveira. <strong>Canavial<\/strong>: uma fazenda mineira. 1. ed. Piedade do Rio Grande, Minas Gerais: DME Editoral, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Daniele Neves e Livia Monteiro HIST\u00d3RICO: Localizada no campo das Vertentes, a cidade de Piedade do Rio Grande, que hoje tem pouco mais de 4 mil habitantes, teve origem no s\u00e9culo XVIII, a partir de atividades voltadas para o abastecimento das \u00e1reas mineradoras e da Corte. 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