{"id":1308,"date":"2025-09-07T21:03:11","date_gmt":"2025-09-08T00:03:11","guid":{"rendered":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/?page_id=1308"},"modified":"2025-10-27T15:25:18","modified_gmt":"2025-10-27T18:25:18","slug":"verbete-gremio-recreativo-escola-de-samba-bate-paus","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/verbete-gremio-recreativo-escola-de-samba-bate-paus\/","title":{"rendered":"Verbete: Gr\u00eamio Recreativo Escola de Samba Bate Paus"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: <a href=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/participante\/danilo-ferretti\/\">Danilo Jos\u00e9 Zioni Ferretti<\/a> e Giovanna Guimar\u00e3es Silva<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">HIST\u00d3RICO:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Embora haja diverg\u00eancias quanto \u00e0 data, o GRES Bate Paus adotou 1933 como o ano de sua funda\u00e7\u00e3o, sendo a agremia\u00e7\u00e3o carnavalesca mais antiga ainda ativa de S\u00e3oJo\u00e3o del Rei, identificada pelas cores verde e rosa. At\u00e9 hoje ela \u00e9 uma agremia\u00e7\u00e3o fortemente comunit\u00e1ria, sediada e composta por moradores do Senhor dos Montes, bairro que conta com uma das maiores propor\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00e3o negra da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">No in\u00edcio, o Bate Paus \u00e9 indicado como sendo um rancho carnavalesco, modelo vindo do Rio de Janeiro, que em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei se consolidou nos anos 1920, sendo aberto aos setores populares e dedicado a organizar um cortejo com alegorias, fantasias e composi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Diferenciava-se, assim, do desregramento do antigo entrudo e da segrega\u00e7\u00e3o sociorracial das Sociedades carnavalescas, como o Clube X (1905-1937). O Bate Paus sobreviveu \u00e0 quase extin\u00e7\u00e3o do carnaval local nos anos 1940, participou dos grandes desfiles dos anos 1950 a 1970 como bloco e se tornou Escola de Samba, em 1981, quando a prefeitura unificou o modelo das agremia\u00e7\u00f5es da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Pr\u00e1ticas culturais de matriz africana fazem parte da origem da agremia\u00e7\u00e3o, estando no relato mais difundido pelos pr\u00f3prios membros. Contam que, no come\u00e7o dos anos 1930, o rancho teria surgido quando o Senhor Jo\u00e3o Henrique adaptou uma pr\u00e1tica h\u00e1 muito tempo realizada por seus companheiros (alguns falam desde 1901), caracterizada por ser \u201cum tipo de dan\u00e7a com coreografia cadenciada e uso de paus, semelhante a algum tipo de dan\u00e7a de origem africana, como o congado\u201d. De fato, performances com bast\u00f5es e desafios s\u00e3o correntes em v\u00e1rias pr\u00e1ticas origin\u00e1rias da \u00c1frica. Podendo se apresentar como dan\u00e7a ritual, recrea\u00e7\u00e3o ou luta, abrangem um lequeamplo de manifesta\u00e7\u00f5es como o \u201cjogo de pau\u201d das festas de jongo e da capoeira, o mo\u00e7ambique, o maculel\u00ea, dentre outras, sendo dif\u00edcil precisar qual destas \u201cdan\u00e7as de paus\u201d est\u00e1 na raiz da entidade carnavalesca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Alguns enredos da Bate Paus foram importantes tamb\u00e9m para a transmiss\u00e3o da mem\u00f3ria da presen\u00e7a africana no Brasil ao longo do tempo e com grande visibilidade p\u00fablica, como foi recorrente em outros grupos do carnaval da cidade. Em 1988, por exemplo, o elogio do candombl\u00e9 era apresentado em plena avenida no enredo de tem\u00e1tica \u201cMistura Brasileira\u201d, junto a dan\u00e7as como maracatu e bumba-meu-boi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Em 2019 a escola desfilou o enredo \u201cAm\u00e9m! Sarav\u00e1! Ax\u00e9! Bate Paus \u00e9 a Nossa F\u00e9\u201d, em que a comiss\u00e3o de frente apresentava dan\u00e7arinos caracterizados como orix\u00e1s e m\u00e3es de santo. Mais importante, a Bate Paus mant\u00e9m h\u00e1 tempos, em todos os desfiles, uma ala, a dos \u201cbatedores de paus\u201d, com seu respectivo \u201cmestre\u201d, que reencenam as pr\u00e1ticas da origem da escola, onde os participantes fazem uma coreografia coletiva com um bast\u00e3o, que batem em duplas e em rodas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">Rua Jos\u00e9 Pedro Azevedo <strong>|<\/strong>110 <strong>|&nbsp;<\/strong>CEP 36 300 258 <strong>|&nbsp;<\/strong>Bairro Senhor dos Montes <strong>|&nbsp;<\/strong>S\u00e3o Jo\u00e3o<br>del Rei-MG.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">ASSUN\u00c7\u00c3O, Matia R\u00f6hrig. \u201cStanzas and Stiks: Poetic and Physical Challenges in the Afro-brazilian Culture of the Paraiba Valley, Rio de Janeiro.\u201d History Workshop Journal, 77 (1), 2014. Dispon\u00edvel em: https:\/\/repository.essex.ac.uk\/8774\/ Acessado 15\/10\/2024.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">DANGELO, Jota. Subs\u00eddios para a Hist\u00f3ria do Carnaval de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, de 1950 a 2000. S\u00e3o Paulo: editora Atheneu, 2003<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">GON\u00c7ALVES, Renata de S\u00e1. \u201cOs Ranchos Carnavalescos e o prest\u00edgio das ruas; territorialidades e sociabilidades no carnaval carioca da primeira metade do s\u00e9culo XX\u201d. Textos escolhidos de cultura e arte populares, v. 3, n. 1, 2006. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.tecap.uerj.br\/pdf\/v3\/goncalves.pdf<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">GONZAGA, Igor Luiz Sandim. \u201cGr\u00eamio Recreativo Escola de Samba Bate Paus\u201d. S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei Transparente. 2007. Dispon\u00edvel em: https:\/\/saojoaodelreitransparente.com.br\/organizations\/view\/35. Acesso 05\/10\/2024.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">PASSARELLI, Ulisses. Bate paus: Um Mo\u00e7ambique de corte. Tradi\u00e7\u00f5es Populares das Vertentes, 2015. Dispon\u00edvel em: https:\/\/folclorevertentes.blogspot.com\/2015\/08\/bate-paus-um-mocambique-de-corte.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Danilo Jos\u00e9 Zioni Ferretti e Giovanna Guimar\u00e3es Silva HIST\u00d3RICO: Embora haja diverg\u00eancias quanto \u00e0 data, o GRES Bate Paus adotou 1933 como o ano de sua funda\u00e7\u00e3o, sendo a agremia\u00e7\u00e3o carnavalesca mais antiga ainda ativa de S\u00e3oJo\u00e3o del Rei, identificada pelas cores verde e rosa. 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