{"id":1303,"date":"2025-09-07T19:54:40","date_gmt":"2025-09-07T22:54:40","guid":{"rendered":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/?page_id=1303"},"modified":"2025-10-27T15:24:20","modified_gmt":"2025-10-27T18:24:20","slug":"verbete-grupo-de-inculturacao-afrodescendentes-raizes-da-terra","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/verbete-grupo-de-inculturacao-afrodescendentes-raizes-da-terra\/","title":{"rendered":"Verbete: Grupo de Incultura\u00e7\u00e3o Afrodescendentes Ra\u00edzes da Terra"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: <a href=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/participante\/silvia-brugger\/\">Silvia Br\u00fcgger<\/a> e Bruna In\u00eas Carelli Mendes<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">HIST\u00d3RICO:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>O Grupo de Incultura\u00e7\u00e3o Afrodescendentes Ra\u00edzes da Terra foi fundado em 1996, no bairro S\u00e3o Geraldo, em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, com intuito de valorizar a cultura negra, celebrar as tradi\u00e7\u00f5es afro-brasileiras e proporcionar estrat\u00e9gias de pertencimento e orgulho racial. Surgiu a partir da rela\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as fundadoras \u2013 Vicentina Neves Teixeira, Efig\u00eania Vicentina Neves (Dona Ginica) e Nivaldo Neves \u2013 com o MOSCAB (Movimento Sanjoanense de Cultura Afro-Brasileira), primeiro grupo de consci\u00eancia negra da cidade, que se reunia no bairro do Tejuco. Dona Vicentina, coordenadora do Ra\u00edzes, nasceu em 1950 em uma fam\u00edlia cat\u00f3lica e integrada aos h\u00e1bitos comunit\u00e1rios do bairro S\u00e3o Geraldo. Conviveu desde pequena com manifesta\u00e7\u00f5es da cultura negra, chegando a ser coroada Rainha Conga aos 17 anos, mas tamb\u00e9m enfrentou os dilemas provocados pelo racismo, que a levaram a se afastar dessas tradi\u00e7\u00f5es por um tempo. Na d\u00e9cada de 1980, sua participa\u00e7\u00e3o em encontros das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), as trocas com padres salesianos ligados \u00e0 Teologia da Liberta\u00e7\u00e3o e com Padre Raimundo, negro, congadeiro e integrante da Pastoral Afro-Brasileira, lhe permitiram um processo de conscientiza\u00e7\u00e3o e letramento racial. Foi neste contexto que passou, acompanhada por alguns vizinhos, a se deslocar sistematicamente do bairro S\u00e3o Geraldo para o Tejuco com objetivo de participar das discuss\u00f5es do MOSCAB. Vale destacar que o final dos anos 1980 marca um momento importante de fortalecimento do Movimento Negro no Brasil e de destaque da efem\u00e9ride do centen\u00e1rio da aboli\u00e7\u00e3o, refletido, por exemplo, no tema da Campanha da Fraternidade de 1988: \u201cOuvi o clamor deste povo&#8230; Negro!\u201d. Como resultado dessas discuss\u00f5es, em 1994, foi fundada, no bairro S\u00e3o Geraldo, a Associa\u00e7\u00e3o de Congada Santa Efig\u00eania, presidida pelo Sr. Nivaldo Neves, e, em 1996, o ent\u00e3o chamado Grupo de Consci\u00eancia Negra Ra\u00edzes da Terra, contando com cerca de 50 participantes. Em suas reuni\u00f5es, os integrantes do Ra\u00edzes estudavam sobre \u201cliturgia afro\u201d, faziam leituras b\u00edblicas, conversavam sobre espiritualidade, antepassados, cantavam cantos de louvor a santos negros e trocavam saberes sobre ervas ligadas \u00e0 medicina popular, mas tamb\u00e9m aos saberes das religi\u00f5es de matrizes africanas. Organizaram um grupo de dan\u00e7a e percuss\u00e3o dedicado aos ritmos negros, como o maracatu. Em parcerias desenvolvidas com professores e alunos da Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, foram diversos tipos de cursos, oficinas e movimentos realizados no bairro S\u00e3o Geraldo e na cidade de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei. O grupo organizava tr\u00eas festas anuais: em maio, a da Aboli\u00e7\u00e3o; em agosto, a de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e, em novembro, a de Zumbi. Marcantes, entre as atividades realizadas pelo grupo, foram as chamadas missas inculturadas ou missas afro. Nelas, na liturgia cat\u00f3lica, eram inseridos elementos da cultura afro: as m\u00fasicas eram entoadas pelo grupo, evocando quest\u00f5es ligadas \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do negro e acompanhadas de instrumentos percussivos como atabaques e ab\u00eas; os integrantes do Ra\u00edzes usavam roupas coloridas e com estampas \u00e9tnicas; um pano de chit\u00e3o colorido era colocado pr\u00f3ximo ao altar e sobre ele, durante o ofert\u00f3rio, eram depositadas broas, pipocas, rapaduras e frutas. Esses alimentos ao final da celebra\u00e7\u00e3o eram distribu\u00eddos entre os participantes. Essas missas provocaram inc\u00f4modos e rea\u00e7\u00f5es racistas, mas foram importantes instrumentos de luta e afirma\u00e7\u00e3o negra na cidade e na regi\u00e3o. O grupo participou de celebra\u00e7\u00f5es em cidades, como Piedade do Rio Grande, Coroas, Barroso e Barbacena. Em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, o Ra\u00edzes foi respons\u00e1vel por onze anos, a partir de 1999, pela organiza\u00e7\u00e3o da missa inculturada, realizada nas sextas-feiras anteriores ao domingo da Festa do Divino, na Par\u00f3quia do Matosinhos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">CITA\u00c7\u00c3O:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>\u201cAta no. 001 No dia vinte e seis de fevereiro de mil novecentos e noventa e seis, reuniu-se em Assembleia Geral um grupo de pessoas de consci\u00eancia negra, sem fins lucrativos, bem como eleger sua coordena\u00e7\u00e3o e aprovar seu regimento interno. Este grupo \u00e9 apoiado Pela Associa\u00e7\u00e3o de Congado Santa Efig\u00eania e recebeu o nome de Ra\u00edzes da Terra. Este ter\u00e1 como finalidade promover dan\u00e7as e eventos culturais. Com a concord\u00e2ncia de todos o grupo passar\u00e1 a vigorar da seguinte forma: sua dura\u00e7\u00e3o ser\u00e1 por prazo indeterminado; sua coordena\u00e7\u00e3o foi eleita para o per\u00edodo de dois anos. Com a presen\u00e7a do Diretor Presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Congado Santa Efig\u00eania e demais membros da diretoria ficou assim definido: 1\u00aa. Coordenadora \u2013 Vicentina Neves Teixeira 2\u00ba Coordenador \u2013 Valdomiro Jos\u00e9 de Paula Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas \u2013 Valdomiro Jos\u00e9 de Paula Secret\u00e1ria \u2013 Regina Lopes Nada mais havendo a ser tratado, eu Regina Lopes lavrei a presente ata que depois de lida e aprovada, ser\u00e1 assinada por todos os presentes.\u201d (Ata de Funda\u00e7\u00e3o do Grupo Ra\u00edzes da Terra, apresentada no document\u00e1rio \u201cConsci\u00eancia Negra\u201d, 9\u00ba epis\u00f3dio da URBE \u2013 Olhares sobre S\u00e3o Jo\u00e3o, UFSJ, dispon\u00edvel no link: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=W0KpOppi8UM&amp;fbclid=IwAR3NBi3er03orGHwc0RzcDjc7kbdKZWbMYN5LRvC8HyMXEbBkhLkM6wqVx<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>ASSIS, Simone. \u201c\u2018A Festa do Divino Esp\u00edrito Santo \u00e9 coisa de raiz, \u00e9 cultura\u2019: batuques na par\u00f3quia do Matosinhos-S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei\/MG\u201d. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado- Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria- UFSJ), S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei: 2021.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>GRUPO DE INCULTURA\u00c7\u00c3O RA\u00cdZES DA TERRA. Sobre o grupo. S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei: S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei Transparente. Dispon\u00edvel em: https:\/\/saojoaodelreitransparente.com.br\/organizations\/view\/88#:~:text=O%20Grupo%20de%20Incultura%C3%A7%C3%A3o%20Ra%C3%ADzes%20da%20Terra%20surgiu,sobre%20a%20cultura%20negra%20em%20S%C3%A3o%20Jo%C3%A3o%20del-Rei<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Miranda, S. F., Silva, M. V. (2009). Configura\u00e7\u00f5es\/Contradi\u00e7\u00f5es do Processo Identit\u00e1rio de Afro-Descendentes: Um Estudo de Caso. Revista, Pesquisas e Pr\u00e1ticas Psicossociais 4 (1), S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Document\u00e1rio \u201cConsci\u00eancia Negra\u201d, 9\u00ba epis\u00f3dio da URBE \u2013 Olhares sobre S\u00e3o Jo\u00e3o, UFSJ, dispon\u00edvel no link: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=W0KpOppi8UM&amp;fbclid=IwAR3NBi3er03orGHwc0RzcDjc7kbdKZWbMYN5LRvC8HyMXEbBkhLkM6wqVx<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Silva, M. V., D. L. O. Paiva, e S. F. Miranda. \u201cMem\u00f3ria E Identidade Afrodescendente: Considera\u00e7\u00f5es a Partir De Um Projeto De extens\u00e3o universit\u00e1ria\u201d. Memorandum: Mem\u00f3ria E Hist\u00f3ria Em Psicologia, vol. 9, outubro de 2005, p. 28-41, https:\/\/periodicos.ufmg.br\/index.php\/memorandum\/article\/view\/6744.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Silvia Br\u00fcgger e Bruna In\u00eas Carelli Mendes HIST\u00d3RICO: O Grupo de Incultura\u00e7\u00e3o Afrodescendentes Ra\u00edzes da Terra foi fundado em 1996, no bairro S\u00e3o Geraldo, em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, com intuito de valorizar a cultura negra, celebrar as tradi\u00e7\u00f5es afro-brasileiras e proporcionar estrat\u00e9gias de pertencimento e orgulho racial. 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