{"id":1157,"date":"2025-06-30T23:02:54","date_gmt":"2025-07-01T02:02:54","guid":{"rendered":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/?page_id=1157"},"modified":"2026-01-12T14:58:33","modified_gmt":"2026-01-12T17:58:33","slug":"verbete-festa-do-divino-espirito-santo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/verbete-festa-do-divino-espirito-santo\/","title":{"rendered":"Verbete:\u00a0Festa do Divino Esp\u00edrito Santo"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: <a href=\"ttps:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/participante\/danilo-ferretti\/\">Danilo Jos\u00e9 Zioni Ferretti<\/a> e Bruna In\u00eas Carelli Mendes<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">HIST\u00d3RICO:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>A festa do Divino Esp\u00edrito Santo, em S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei, ocorria juntamente \u00e0 do Bom Jesus de Matosinhos, em frente \u00e0 igreja do mesmo nome, desde pelo menos 1783. Ao longo do s\u00e9culo XIX, ela se consolidou como a mais popular da cidade, ocorrendo na data m\u00f3vel de Pentecoste, entre maio e junho. Havia uma parte lit\u00fargica, com serm\u00f5es, novenas, missas e prociss\u00f5es. E havia tamb\u00e9m uma variedade de atividades l\u00fadicas, como concertos de bandas, competi\u00e7\u00f5es de argolinha, cavalhadas, barracas de comida, jogos de azar e, j\u00e1 no s\u00e9culo XX, cinemat\u00f3grafo. Nestas festividades, a popula\u00e7\u00e3o negra fazia-se presente como parte significativa dos fi\u00e9is, infundindo elementos de sua cultura pelo catolicismo popular, ainda que tais devo\u00e7\u00f5es n\u00e3o fossem especialmente voltadas aos africanos e seus descendentes. No entanto, apesar de toda a sua popularidade, a festa do Divino Esp\u00edrito Santo foi extinta em 1924, por decis\u00e3o do bispo de Mariana, em acordo com setores das elites sanjoanense e dos franciscanos holandeses que, desde 1904, difundiam um catolicismo ultramontano mais rigorista na cidade. As comemora\u00e7\u00f5es do Divino tornam-se um espa\u00e7o mais fortemente marcado de significados para a coletividade negra de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei a partir do movimento de retomada da festa, no final dos anos 1990, historiado por <a href=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/festas-e-modos-de-vida\/participante\/simone-de-assis\/\">Simone de Assis<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/05\/Rosario-cortejo-do-divino-2016-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-927\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/05\/Rosario-cortejo-do-divino-2016-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/05\/Rosario-cortejo-do-divino-2016-300x200.jpg 300w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/05\/Rosario-cortejo-do-divino-2016-768x512.jpg 768w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/05\/Rosario-cortejo-do-divino-2016-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/05\/Rosario-cortejo-do-divino-2016.jpg 1625w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Imperador do Divino e cortejo da Prociss\u00e3o de Santo Ant\u00f4nio em frente \u00e0 Igreja do Ros\u00e1rio, S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, maio 2016. Foto: Danilo Ferretti.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Tal processo foi resultado da conflu\u00eancia entre diferentes agentes. Havia mulheres e homens negros que, desde os anos 1980, protagonizavam movimentos de valoriza\u00e7\u00e3o da cultura negra ou movimentos sociais ligados \u00e0s Comunidades Eclesiais de Base e a Pastoral Afro-Brasileira em seus bairros perif\u00e9ricos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"651\" height=\"432\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/festa-do-divino-.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1159\" style=\"width:800px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/festa-do-divino-.png 651w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/festa-do-divino--300x199.png 300w\" sizes=\"(max-width: 651px) 100vw, 651px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p> Havia o novo p\u00e1roco de Matosinhos, orientado pela teologia da liberta\u00e7\u00e3o e aberto \u00e0 maior participa\u00e7\u00e3o dos paroquianos e ao ecumenismo. E havia intelectuais, em sua maioria brancos, voltados a valorizar as tradi\u00e7\u00f5es culturais locais. O resultado foi a reinven\u00e7\u00e3o da Festa do Divino, a partir de 1998, em que elementos da cultura negra receberam papel de destaque. Em 1999, foi inserida uma missa inculturada, com v\u00e1rios elementos da cultura afrobrasileira. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"639\" height=\"426\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/festa-do-divino-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1158\" style=\"width:800px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/festa-do-divino-2.png 639w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/festa-do-divino-2-300x200.png 300w\" sizes=\"(max-width: 639px) 100vw, 639px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O Congado de Coronel Xavier Chaves acompanha a Prociss\u00e3o do Divino Esp\u00edrito Santo, 27-5-2023. Foto: Danilo Ferretti.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os congados da cidade passaram a ter na festa do Divino um de seus principais espa\u00e7os de apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica. No s\u00e1bado, eles participam do cortejo da recriada prociss\u00e3o do Divino. No domingo, dia de Pentecoste, o auge da festa, realizam um grande encontro pela manh\u00e3 com ternos de toda a cidade e regi\u00e3o e ainda acompanham a prociss\u00e3o que se realiza ap\u00f3s a missa solene. Como tradi\u00e7\u00e3o reinventada, a nova festa do Divino do popular bairro do Matosinhos trazia forte marca de africanidade. A partir de 2011, com a substitui\u00e7\u00e3o do p\u00e1roco, houve um refluxo, com a supress\u00e3o de algumas das pr\u00e1ticas que valorizavam a cultura negra, como a missa inculturada, exclu\u00edda a partir de 2014. Ainda hoje, no entanto, a presen\u00e7a marcante de ternos de congado nos festejos do Divino Esp\u00edrito Santo confere a esta que \u00e9 uma das mais populares festas da cidade um papel importante em afirmar a presen\u00e7a p\u00fablica da cultura de matriz africana. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"659\" height=\"432\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/festa-do-divino-3-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1160\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/festa-do-divino-3-1.png 659w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/festa-do-divino-3-1-300x197.png 300w\" sizes=\"(max-width: 659px) 100vw, 659px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>O Congado de Coronel Xavier Chaves acompanha a Prociss\u00e3o do Divino Esp\u00edrito Santo, 27-5-2023. Foto: Danilo Ferretti.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Pra\u00e7a Sr. Bom Jesus Matosinhos | 389 | Matosinhos | S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, MG | 36305-142 | Brasil |<\/strong><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>AD\u00c3O, Kleber do Sacramento. \u201cDevo\u00e7\u00f5es e divers\u00f5es em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei: um estudo sobre as festas de Bom Jesus de Matosinhos\u201d (1884-1924).\u201d Tese, Doutorado em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica da Unicamp; Campinas: 2001.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>ASSIS, Simone. \u201cA Festa do Divino Esp\u00edrito Santo \u00e9 coisa de raiz, \u00e9 cultura\u2019: batuques na par\u00f3quia do Matosinhos-S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei\/MG\u201d. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado- Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3riaUFSJ), S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei: 2021<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>HENRIQUES, Jos\u00e9 Cl\u00e1udio. \u201cO resgate da Festa do Divino do Bairro de Matosinhos\u201d Revista do Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, vol IX, 2000.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Danilo Jos\u00e9 Zioni Ferretti e Bruna In\u00eas Carelli Mendes HIST\u00d3RICO: A festa do Divino Esp\u00edrito Santo, em S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei, ocorria juntamente \u00e0 do Bom Jesus de Matosinhos, em frente \u00e0 igreja do mesmo nome, desde pelo menos 1783. 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