{"id":1100,"date":"2025-06-25T00:57:39","date_gmt":"2025-06-25T03:57:39","guid":{"rendered":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/?page_id=1100"},"modified":"2025-06-25T19:20:22","modified_gmt":"2025-06-25T22:20:22","slug":"verbete-morro-da-forca","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/verbete-morro-da-forca\/","title":{"rendered":"Verbete: Morro da Forca"},"content":{"rendered":"\n<p>Por:<a href=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/participante\/danilo-ferretti\/\"> Danilo Jos\u00e9 Zioni Ferretti<\/a> e Giovanna Guimar\u00e3es Silva<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">HIST\u00d3RICO:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>A primeira men\u00e7\u00e3o \u00e0 forca em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei est\u00e1 em um aforamento de terra que, em 1766, citou o \u201cmorro chamado da forca\u201d. Ele se referia a um morro situado a leste da vila, local que desde o in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII era a entrada de quem vinha pelo \u201cCaminho Novo\u201d, de Barbacena e, mais al\u00e9m, do Rio de Janeiro, no atual Bairro do Bonfim. Tal morro ficou popularmente conhecido como Morro da Forca em virtude de ser o local onde o pat\u00edbulo da forca era erguido com fins de execu\u00e7\u00e3o da pena capital, nos per\u00edodos colonial e imperial. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"724\" height=\"499\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/Captura-de-tela-2025-06-09-232440-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1102\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/Captura-de-tela-2025-06-09-232440-2.png 724w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/Captura-de-tela-2025-06-09-232440-2-300x207.png 300w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Antigo top\u00f4nimo preserva a mem\u00f3ria da forca. Maio de 2023. Foto: Danilo Ferretti.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em 1769, Jos\u00e9 Garcia de Carvalho iniciou, pr\u00f3ximo \u00e0 forca, a constru\u00e7\u00e3o de uma capela cuja devo\u00e7\u00e3o ao Bonfim indica a rela\u00e7\u00e3o com as pr\u00e1ticas de prepara\u00e7\u00e3o para a morte na cultura barroca. Quanto \u00e0 forca, ela era, da mesma forma que o pelourinho, uma pe\u00e7a do sistema repressivo necess\u00e1rio para manter a ordem vigente e a escravid\u00e3o. Ela constitui, assim, um lugar que traz a lembran\u00e7a da viol\u00eancia oficial para impor disciplina e puni\u00e7\u00e3o a homens e mulheres escravizados que atentassem contra seus senhores. No per\u00edodo colonial as leis vigentes (ordena\u00e7\u00f5es Filipinas) definiam a pena de morte para os escravizados que matassem seu senhor. Outras leis na col\u00f4nia tamb\u00e9m adotavam a pr\u00e1tica, como o bando de 1719, do Conde de Assumar, que punia com a pena de morte escravizados aquilombados. Em 1830, o Estado mon\u00e1rquico brasileiro aprovou o C\u00f3digo Criminal e por ele a pena de morte seria aplicada a escravizados e livres em caso de cometerem homic\u00eddio ou quando fossem \u201ccabe\u00e7as\u201d de insurrei\u00e7\u00e3o. Tal decis\u00e3o foi complementada pela lei de 10 de junho de 1835, criada especificamente para escravizados em um momento de revoltas crescentes, como as de Carrancas-MG (1833) e dos Mal\u00eas (1835), em Salvador-BA. Essa lei acelerava e facilitava a execu\u00e7\u00e3o da pena capital a cativos que matassem ou ferissem a senhores, seus familiares, feitores e administradores. Por ser cabe\u00e7a de comarca, S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei concentrou execu\u00e7\u00f5es na forca. Os sentenciados permaneciam sob os cuidados da Irmandade das Almas e, a partir de 1816, da Miseric\u00f3dia. Estas os acompanhava ao pat\u00edbulo em cortejo com estandarte al\u00e7ado e escolta militar. A cidade testemunhou a maior execu\u00e7\u00e3o p\u00fablica de todo o per\u00edodo Imperial, quando 16 condenados pela revolta de Carrancas foram \u00e0 forca, armada excepcionalmente no Morro da P\u00f3lvora, em lugar hoje conhecido como Alto da Cemig. Doze deles foram executados nos dias 3,4 e 5 de dezembro de 1833. Os outros quatro no dia 23 de abril de 1834. Desde 1835, a forca deixou de ser uma estrutura permanente na cidade e pouco mais de um ano ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o a pena de morte foi suprimida no Brasil. Na atual Pra\u00e7a Dr. Guilherme Milward, uma placa indicativa do top\u00f4nimo antigo de \u201cMorro da Forca\u201d nos lembra de quando a pena de morte era legalizada no Brasil e servia para a manuten\u00e7\u00e3o da ordem escravista.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"593\" height=\"399\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/morro-da-forca-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1101\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/morro-da-forca-1.png 593w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/morro-da-forca-1-300x202.png 300w\" sizes=\"(max-width: 593px) 100vw, 593px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A Igreja do Bonfim, no antigo Morro da Forca. Em Julho de 2021. Foto: Danilo Ferretti.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>ANDRADE, Marcos Ferreira. \u201cA pena de morte e a revolta dos escravos de Carrancas: a origem da \u201clei nefanda\u201d (10 de junho de 1835). Revista Tempo, 2017.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>FERREIRA, Ricardo Alexandre. \u201cPolissemias da desigualdade no Livro V das Ordena\u00e7\u00f5es Filipinas: o escravo integrado\u201d. Hist\u00f3ria (S\u00e3o Paulo) v.34, n.2, p. 165-180, jul.\/dez. 2015. https:\/\/www.scielo.br\/j\/his\/a\/JF8bfTCC8CFp7NHfTv6qYDF\/?format=pdf&amp;lang=pt<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>GAIO SOBRINHO, Ant\u00f4nio. \u201cEnforcamentos em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei\u201d IDEM, S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei atrav\u00e9s de documentos. S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei-MG: Universidade Federal de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei, 2010.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>GAIO SOBRINHO, Ant\u00f4nio. \u201cNotas sobre o Bairro do Bonfim\u201d. S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei Transparente. Dispon\u00edvel em: https:\/\/saojoaodelreitransparente.com.br\/works\/view\/12. Acesso: 11\/06\/2024<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Danilo Jos\u00e9 Zioni Ferretti e Giovanna Guimar\u00e3es Silva HIST\u00d3RICO: A primeira men\u00e7\u00e3o \u00e0 forca em S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei est\u00e1 em um aforamento de terra que, em 1766, citou o \u201cmorro chamado da forca\u201d. 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