{"id":1071,"date":"2025-06-23T23:53:13","date_gmt":"2025-06-24T02:53:13","guid":{"rendered":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/?page_id=1071"},"modified":"2025-06-23T23:59:21","modified_gmt":"2025-06-24T02:59:21","slug":"verbete-orquestra-ribeiro-bastos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/verbete-orquestra-ribeiro-bastos\/","title":{"rendered":"Verbete: Orquestra Ribeiro Bastos"},"content":{"rendered":"\n<p>Por:<a href=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/participante\/danilo-ferretti\/\"> Danilo Jos\u00e9 Zioni Ferretti<\/a> e Bruna In\u00eas Carelli Mendes<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">HIST\u00d3RICO:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>A orquestra Ribeiro Bastos, junto \u00e0 Lira Sanjoanense, foi uma das duas corpora\u00e7\u00f5es que surgiram no s\u00e9culo XVIII com o intuito de responder \u00e0s demandas musicais dos cultos religiosos de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei. Seu surgimento \u00e9 relacionado ao \u201cPartido de M\u00fasica\u201d da ordem terceira franciscana, documentado desde 1755.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"679\" height=\"454\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/Captura-de-tela-2025-06-10-001350.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1078\" style=\"width:800px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/Captura-de-tela-2025-06-10-001350.png 679w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/Captura-de-tela-2025-06-10-001350-300x201.png 300w\" sizes=\"(max-width: 679px) 100vw, 679px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Sede da Orquestra Ribeiro Bastos, na Rua Santo Ant\u00f4nio, S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei. Em Agosto de 2020. Foto: Danilo Ferretti.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p> Ele seria arrematado por diferentes m\u00fasicos ao longo dos s\u00e9culos XVIII e XIX, at\u00e9 o maestro Ribeiro Bastos assumir sua dire\u00e7\u00e3o, em 1860, passando a identific\u00e1-lo com seu nome. A agremia\u00e7\u00e3o se consolidou tamb\u00e9m por proporcionar uma forma\u00e7\u00e3o a jovens m\u00fasicos, que em suas escolas podiam desenvolver suas habilidades e serem reconhecidos por seu talento independentemente de sua cor de pele. A forma\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos pelas orquestras sanjoanenses foi fundamental para a inser\u00e7\u00e3o e reconhecimento social dos negros da cidade. A Ribeiro Bastos contava com um n\u00famero consider\u00e1vel de m\u00fasicos e maestros, e dentre eles, uma presen\u00e7a marcante de m\u00fasicos negros. Apesar dessa presen\u00e7a, os membros da Ribeiro Bastos foram apelidados de \u201ccoalhadas\u201d, sugerindo que seriam majoritariamente brancos. Esse apelido evidenciava a concorr\u00eancia entre as duas orquestras, n\u00e3o havendo uma separa\u00e7\u00e3o estrita, em que teria somente brancos na Ribeiro Bastos e somente negros na Lira. Entre os afrodescendentes que compuseram esta orquestra, destaca-se o pr\u00f3prio Martiniano Ribeiro Bastos (1834-1912), um homem pardo, que al\u00e9m de maestro foi professor de latim, diretor da Escola Normal e, entre 1883 e 1886, assumiu cargos como o de vereador, presidente da c\u00e2mara e juiz de paz. Comp\u00f4s v\u00e1rias obras e se empenhou em formar novos m\u00fasicos, transformando sua pr\u00f3pria casa na rua da Prata em escola. Da\u00ed surgiram talentos como os irm\u00e3os Presciliano Jos\u00e9 e Firmino Silva, m\u00fasicos negros. Presciliano (1854-1910), principalmente, teve relevante trajet\u00f3ria, compondo in\u00fameras obras entre missas, hinos e marchas. Em 1879, recebeu bolsa do imperador e fez estudos musicais na Real Escola de Mil\u00e3o, na It\u00e1lia. No Brasil atuou como professor de m\u00fasica nas Escolas Normais de centros din\u00e2micos como Campinas-SP, em 1885; Cantagalo-RJ, em 1887; Nova Friburgo-RJ; at\u00e9 se estabelecer na cidade de S\u00e3o Paulo-SP, em 1890, onde faleceu. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"430\" height=\"539\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/orquesta-ribeiro-bastos-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1073\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/orquesta-ribeiro-bastos-2.png 430w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/orquesta-ribeiro-bastos-2-239x300.png 239w\" sizes=\"(max-width: 430px) 100vw, 430px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Orquestra Ribeiro Bastos no coro da matriz do Pilar, 06-03-2020. Foto: Danilo Ferretti.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"662\" height=\"437\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/orquestra-ribeiro-bastos-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1074\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/orquestra-ribeiro-bastos-3.png 662w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/orquestra-ribeiro-bastos-3-300x198.png 300w\" sizes=\"(max-width: 662px) 100vw, 662px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Orquestra Ribeiro Bastos no coro da matriz do Pilar, 06-03-2020. Foto: Danilo Ferretti.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outro m\u00fasico negro formado na escola de Ribeiro Bastos, foi Jo\u00e3o Francisco da Matta ( ? &#8211; 1909), compositor de pe\u00e7as cujas c\u00f3pias deixou pelas cidades mineiras em que passou por conta de seu of\u00edcio de tropeiro. Foi maestro de banda em Oliveira-MG e teria ido \u00e0 Corte publicar partituras. Bo\u00eamio, chegou a ser preso duas vezes e n\u00e3o deixou de marcar suas afinidades pol\u00edticas ao compor um Hino \u00e0 Liberdade, em homenagem \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, e um Hino \u00e0 Rep\u00fablica. Al\u00e9m desses, outros m\u00fasicos negros participaram da Ribeiro Bastos, tais como os irm\u00e3os Jos\u00e9 Vitor d\u00b4Apari\u00e7\u00e3o e Jos\u00e9 Raymundo de Assis, Jos\u00e9 Quintino dos Santos, Jo\u00e3o Evangelista Pequeno, Japhet Maria da Concei\u00e7\u00e3o, Tel\u00eamaco Victor Neves, Jos\u00e9 Maria Neves e Maria Stella Neves Valle.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"411\" height=\"611\" src=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/Captura-de-tela-2025-06-10-000640-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1072\" srcset=\"https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/Captura-de-tela-2025-06-10-000640-1.png 411w, https:\/\/mg.passadospresentes.com.br\/cidades-negras\/wp-content\/uploads\/sites\/5\/2025\/06\/Captura-de-tela-2025-06-10-000640-1-202x300.png 202w\" sizes=\"(max-width: 411px) 100vw, 411px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Busto de Jo\u00e3o Francisco da Mata, m\u00fasico tropeiro formado na escola de Ribeiro Bastos, curiosamente guardado no sal\u00e3o da Lira Sanjoanense. Em Novembro de 2023. Foto: Danilo Ferretti.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS:<\/h4>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>AMASTALDEN, J.C.F. As Orquestras comunit\u00e1rias de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei \u2013 MG: Identidade e afirma\u00e7\u00e3o social atrav\u00e9s da m\u00fasica. (2017). Cadernos CERU, 28 (1), 132-147.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>COELHO, Eduardo Lara. Coalhadas e rapaduras: estrat\u00e9gias de inser\u00e7\u00e3o social e sociabilidade de m\u00fasicos negros (S\u00e3o Jo\u00e3o del, s\u00e9c XIX), Resende Costa-MG, AMIRCO, 2014.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>PFEFFER, Renato Somberg. LUNA, Mois\u00e9s. Breve hist\u00f3ria da m\u00fasica antiga em Minas Gerais. Revista Pretexto. Belo Horizonte: Vol. 6, N\u00b0. 1 (janeiro\/junho), 2005.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por: Danilo Jos\u00e9 Zioni Ferretti e Bruna In\u00eas Carelli Mendes HIST\u00d3RICO: A orquestra Ribeiro Bastos, junto \u00e0 Lira Sanjoanense, foi uma das duas corpora\u00e7\u00f5es que surgiram no s\u00e9culo XVIII com o intuito de responder \u00e0s demandas musicais dos cultos religiosos de S\u00e3o Jo\u00e3o del Rei. 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