Em Piedade do Rio Grande, região do campo das vertentes do estado de Minas Gerais, acontece a festa de maio desde 1928, organizada pela Associação de Congada e Moçambique de Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Mercês desde essa época.
A Associação foi fundada por descendentes de ex-escravizados que moravam na região desde a segunda metade do século XIX e que mantinham relações de sociabilidades e amizade com os irmãos do Rosário da irmandade do Rosário de Ibertioga, cidade vizinha à Piedade, onde também acontecem os festejos até os dias atuais, no mês de setembro.
A festa é parte do calendário turístico e religioso da cidade e se transformou em patrimônio imaterial do município. O grupo de mais de cem homens negros, vestidos com suas camisetas produzidas para a festa a cada ano, rompe com o barulho da caixa e canta em louvor à São Benedito no primeiro dia da festa, sempre na última sexta-feira do mês de maio. No sábado, com suas roupas brancas, chapéus com fitas azuis e rosa e toalhas na cintura, esses mesmos homens louvam e festejam a fé em Nossa Senhora das Mercês. À noite, os mesmos homens congadeiros transvestem-se em moçambiqueiros e o guizo no pé, a manguara na mão e o lenço amarrado na cabeça avisam que chegou a hora de brincar o moçambique e saudar Nossa Senhora do Rosário, o que acontece por todo domingo.
Nos três dias de festa acontecem as procissões, chamada de reis, missas conga e a coroação e cortejo do rei e rainha congos pela cidade. A liderança é exercida pelos capitães, que puxam os cantos e comandam a festa, sob a proteção do rei e rainha congos. As memórias da escravidão e do passado afro-diaspórico dos ancestrais congadeiros são cantadas, relembradas, ritualizadas e presentes na festa de maio.