Localizada no município de Ponte Nova, Minas Gerais, a comunidade é o principal núcleo quilombola da Zona da Mata mineira, reunindo a maior parte das 3.751 pessoas autodeclaradas quilombolas no município, que possui a sexta maior população quilombola do estado, de acordo com dados do Censo de 2022.
Suas origens remontam o fim do século XIX, especialmente após a abolição formal da escravidão, a partir da migração forçada das populações negras de áreas rurais circunvizinhas, devotadas anteriormente à economia agrícola escravista, formadas por cafeeiros e engenhos de açúcar, para área próxima a uma das bordas em expansão da cidade de Ponte Nova. De início, a comunidade foi identificada como Morro do Sapé, uma referência à cobertura das casas de taipa ali construídas, tendo também recebido as alcunhas de Vila Cruzeiro e Morro da Lamparina. Situada em região “erma” de mata, no alto e entre morros, em “meio caminho” entre antigas fazendas e a cidade, a comunidade, apesar da relativa proximidade com o núcleo urbano, manteve características rurais até a metade do século XX. Havia ali íntima conexão material e espiritual com a natureza, especialmente o ribeirão cujo nome deriva de área contígua ao território quilombola, de densa mata, o Passa Cinco, lugar de pesca, “tiragem” de lenha, caça e rituais religiosos.
Fotografia: Bairro de Fátima. Foto de Lívia Rabelo e Rosangela Lisboa dos Santos (Proa: Rev. de Antrop. e Arte. v. 13 | p. 1-7 2023)